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Regresso ao país natal

O sonho da mãe

Pouco depois do falecimento da nossa querida irmã que tanto amava o seu filho e a vida, a mãe sonhou que ela entrou em casa. Incredula, ajoelhou-se diante daquela presença, ergueu os braços com as mãos juntas e deu graças a Deus. Não há quês nem porquês. Os meus pais vivem no terror de terem perdido uma filha. Deus nos livre e nos resguarde de tal tragédia. Eu estou aqui para os ajudar no que eu puder, SEMP

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RE.

Eu e o destino quisemos assim

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Nunca vos abandonarei. Há quem acredite que tudo acontece por uma razão. Posto isso, pode concluir-se que o destino me encaminhou a ir viver para o Arneiro para que os nossos pais não estivessem agora sozinhos e desamparados a maior parte do tempo. O destino concordou comigo; o que me levou a ir viver para lá foi saber que a mãe iria precisar sempre de mim, para não ter que vir doutro sitio qualquer levá-la às compras, para lhe fazer companhia, para que a propriedade não estivesse ao abandono, para não ter que investir dinheiro de rendas numa habitação que nunca seria minha. A razão está aí! O que eu nunca imaginei era aquela pobre rapariga perder a vida tão cedo. Anabela, amamos-te muito. Nunca deixaremos de pensar em ti.

A família é também para os momentos mais difíceis

Não obstante todas as dificuldades e já de cabeça mais tranquila, devemos reconhecer que a família é também para os momentos de dificuldade. A realidade é que estão ali dois idosos, os nossos pais, a sofrer o maior terror de todos os terrores possíveis. Terem resistido até aqui é um grande mistério e uma grande vitória. Temos SIM o dever moral de os ajudar, de nos esforçarmos para sermos mais presentes e mais intervenientes na execução das tarefas diárias

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Dever cívico, obrigações da família

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Limpar os terrenos e ribeiros, segundo se consta, é obrigatório por lei.

O ribeiro que percorre a propriedade da nossa família precisava de ser limpo pelo menos duas vezes por ano. As canas e as silvas crescem a uma velocidade impossível de controlar.

A propriedade é da nossa família mas quem tem que a limpar ... SOU EU.

Dez horas cada sessão sem grandes intervalos e sem ajuda de ninguém.

Esta última limpeza foi feita num Domingo.

O que vale é que amo fazer este tipo de tarefas e coloco o dever acima do laser.

O que me perturba é ninguém me ajudar e ainda por cima ter que ouvir, "Fazes porque queres, ninguém te manda."

Manda sim, manda a minha consciência e manda o dever cívico!

 

TORTURA PSICOLÓGICA

O dilema continua, as acusações, os agoiros …

Não sei até que ponto vou aguentar esta tortura psicológica.

Sinto-me como quando era uma menina cujo sonho era ir a uma esquadra de polícia sentar-se do lado das testemunhas separada por aquele vidro enorme que dum lado é espelho impedindo os culpados de verem quem está do outro lado. Essa menina queria dizer aos pais o que lhe ia na alma pois, se tentasse fazê-lo diretamente aos progenitores, era logo ameçada para se calar e não estava livre de levar uma surra.

Não me dá prazer estar a relembrar estas coisas pois eu também não fui das mães mais doces mas, aos poucos, devido à situação, vou involuntáriamente regressando a esse estado e não sei quanto tempo aguentarei sem entrar numa depressão nervosa. Hoje voltou a acusar-nos de não ajudarmos e de sermos atentadoras. Tanto cuidado, tanta dedicação, tanta empatia que eu lhe tenho entregue ao ponto de desgaste emocional.

Eu disse-lhe que ela estava a pecar, a ofender-me e perguntei-lhe em que aspeto é que eu lhe estou a falhar. Lembrei-a que não tenho vida própria. Mas não vale a pena; tudo o que digo é em vão. Somos as piores filhas que uma mãe pode ter e um dia vamos encontrar o pago. 

É triste sermos constantemente acusadas de não entendermos o sofrimento dela. Como se não soubessemos que anda a sofrer e como se isso não me entristessesse também. Mas não há nada que eu diga que tenha valor ou que seja apreciado. Sou má, ponto final.

Sou recriminada por fazer coisas para mim no pouco tempo que me resta do meu tempo que poderia ser de laser mas que lhes é todo dedicado, pois, na ideia dela, "Primeiro nós (ela), depois vós". Seria necessária uma dose de humildade.

Sei que amanhã as cores serão mais alegres mas umas cenas atrás das outras, não quero imaginar no que vai dar.

Quando cheguei a casa para almoçar, fui consertar o pai que estava todo torto na poltrona. Lançou-me logo um murro com o dedo do meio bem saliente para se certificar de que iria aleijar com força. Felizmente consegui-me esquivar. Depois, enquanto a mãe comia a sandes dela, sentei-me ao lado dele para lhe dar a sopa. Estava todo agitado e cuspiu-ma para cima. Desisti. Não o deitei como costumo fazer todos os dias à hora do almoço. Fui comprar os medicamentos para o ajudar a evacuar e vim trabalhar.

Também tenho direitos

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Por estar sobrecarregada ao ponto de já não poder, práticamente, deitar-me um bocadinho no sofá como eu fazia antes, deixei bem claro, há já algum tempo, que de ora em diante eu só sairia em "serviço da família" um dos dias aos fins de semana e que o outro seria EXCLUSIVAMENTE para mim. Mas este último fim de semana alguém lembrou-se que eu tinha que interromper o meu dia para ser chofer para transportar à loja local. Eu não obedeci. O resto do dia foi um caos. :(

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PS: Saliento que esse tempo que eu tiro, alegadamente para mim, é passado e executar tarefas árduas na propriedade da família de manha à noite, até à exaustão ou a propriedade pareceria uma selva ao abandono. Saliento ainda que estou saturada de ouvir dizer que ninguém mo manda fazer e que o faço porque quero. E é apenas isso que ouço dizer.

Sobrecarga para mim

Continuo a salientar que não acho justo ser eu a ter que aguentar este barco práticamente sozinha. A lista de tarefas e responsabilidades que não são contratáveis a terceiros é infinita. Humildemente cedo à minha sina mas nunca deixarei de frisar que é injusto. Faço do coração mas não sou de ferro

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