Pensei que não resistisse ...
... mas resistiu!
De repente o pai deixou de comer e beber. Os pulmões faziam um ruído, pareciam um tractor. Ele mal tinha força para tossir.
Decidimos levá-lo ao hospital. Fizeram-lhe radiografias e veio de volta para casa com medicação para a tosse e para ajudar a eliminar as excreções que ele, por não ter forças, não conseguia.
Naquela noite ele parecia não ir resistir.
Mas na manhã seguinte, lá estava ele. Os olhos mais abertos, a pela mais rosada! Até à hora do almoço, não ingeriu practicamente nada. A Éni deu-lhe a medicação de manhã com uma seringa mas ele guardou tudo na boca. Cantei-lhe uma das canções preferidas, La Cucaracha para ele acabar a frase, como de hábito nos momentos mais difíceis e ele, com muita dificulade lá a acabou, "marinero" o que o obrigou a engolir qualquer coisa para poder falar!
À hora do almoço consegui que ele comesse banana, kiwi, maçã e um pouco de sopa. Dei-lhe dos meus sumos da horta e um pouco de água.
Deixei-o no quarto a receber vapores de eucalipto.
