PARA QUE NÃO RESTEM DÚVIDAS
Saibam que eu preferia, DE LONGE, ter a minha liberdade de volta.
Mas, por ser prisioneira das circunstâncias devido à tragédia que abalou a nossa família, não posso viver a minha vida inteiramente à minha maneira porque tenho uma consciência que me obriga (no bom sentido) a dar assistência a quem me deu a vida e se encontra num sofrimento que só eles sabem.
Se eu fosse doutro naipe, virava-lhes as costas para ser livre. Mas sou deste naipe.
No que respeita ao dinheiro que se anda a gastar, eis
Se eu fosse livre:
O CARRO
A - Vinha a pé ou de bicicleta para o trabalho quase todos os dias como fazia antes. Consequentemente, mal precisava do carro, e nem sequer ia almoçar a casa. Raramente saía aos fins-de-semana o que significava pouco gasóleo e pouco desgaste. Em gasóleo era capaz de gastar 20 euros por mês. O carro estava quase sempre parado!
ALIMENTAÇÃO
B - Comia apenas grelhados e saladas o que me custava uma insignificância. Cheguei a registar as minhas despesas tendo concluido que conseguiria viver com apenas 150 euros por mês, tudo incluido. Na comida era capaz de gastar 80 euros por mês pois consumo bastante da horta.
Mas como não sou livre:
O CARRO
A - Presentemente, tenho que vir trabalhar de carro todos os dias para ir almoçar a casa a fim de dar apoio à mãe e deitar o pai à hora do almoço. Enquanto que antes eu ia às compras apenas uma vez por semana, agora tenho que sair várias vezes, não apenas para fazer as compras da família mas também para a mãe sair do buraco da depressão e tenho também que dar muitas outras voltas para tratar de assuntos da família toda. Eu sou a motorista de todos e, sem mim, poucas coisas se fazem.
O carro NÃO PÁRA!
ALIMENTAÇÃO
B - Agora que a mãe se encontra naquele estado depressivo (Deus nos livre alguma vez estar no lugar dela/deles), quando não é a Piedade a cozinhar para a familia tenho que ser eu (embora a mãe também cozinhe muitas vezes) e isso faz com que a minha gula se esbanje mas vou ter que comba- ter essa tendência. Presentemente como à custa dos nossos pais. Para além disto: Passo uma grande parte do meu tempo a registar cada cêntimo que gasto do dinheiro do pai para justificar a quem diga respeito, inclusivamente, a mim própria. Desde ter criado a ficha excel, até arquivar cada documento, é uma tarefa que ocupa o meu tempo a minha mente.
FT DA ELECTRICIDADE vs FT DE TELEFONE / TV / INTERNET
Enquanto que o pai paga a factura da electricidade pois, a pedido dele há alguns anos, a factura foi domiciliada na CGD para apresentar actividade na conta, eu pago a Factura do telefone, TV e internet que é usada pela família toda. Neste campo, estamos quites. A máquina da roupa não pára para lavar mais roupa da casa da mãe do que da minha, no Inverno liga-se o aquecedor electrico no quarto do pai porque a salamandra só aquece a casa enquanto se está a pôr lenha e se o pai se destapar durante a noite morre de frio porque não tem reacção para se voltar a acachar.
O MEU TEMPO DE TRABALHO
Fico em casa todas as quartas para não andar tão controlada por horários. Essa folga custa-me uma média de 30 euros por dia que dedico INTEIRAMENTE à horta para a zelar e cultivar. Isto é trabalho para toda a família que mais ninguém faria, embora seja de meu interesse também. Sejamos realistas, se não fosse eu a propriedade inteira pareceria uma autêntica selva. Assim tem árvores de fruto, legumes e zelo de que todos podemos desfrutar e apreciar.
Quando o dinheiro se acabar é que vai ser o delas.
Note-se que este texto não é uma reclamação mas, sim, um explicativo.
Não me arrependo de ajudar os meus pais, faço-o do coração com muita compaixão mesmo quando as coisas correm menos bem.
Sinto-me grata pela vida que me deram e peço a Deus que nos dê, a todos, muita saúde para aguentarmos o barco chamado VIDA.
RELEMBRO QUE SOU EMPREGADA A TEMPO QUASE INTEIRO.
